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Já tinha ouvido falar em arroz para bebés? Existe. É português e único

Em plena lezíria ribatejana cresce um arroz singular no país. Dá pelo nome de baby rice e destina-se à alimentação infantil. O segredo começa na produção e termina na embalagem de atmosfera controlada. Já quebrou fronteiras e está de olho na China. Por cá, tem passado despercebido. A partir desta segunda-feira e durante as próximas semanas acompanhe, no site e no Expresso Diário as histórias dos produtores de quem se fala e os produtos mais inovadores que estão a surgir. Saiba também a evolução de alguns projetos distinguidos em 2014 no Prémio Intermarché Produção Nacional.
 

A ideia de fazer chegar às prateleiras dos supermercados o arroz embalado baby rice surgiu sem um único estudo de mercado. Joaquim Bravo, engenheiro e atual diretor de qualidade da Orivárzea, andava às compras para a filha, ainda com meses, num hipermercado, e só encontrava farinhas de arroz. Telefonou ao diretor comercial. “Oh Jorge, por que é que nós não fazemos um arroz para crianças?” Começa assim a história. A conversa ficou na cabeça de Jorge Parreira. No dia seguinte, desmarcou toda a agenda e foi ele próprio para o campo. “Vi que realmente não havia arroz e podia ser uma oportunidade”, conta. Apresentou a ideia e estratégia para a marca e recebeu luz verde da administração para avançarem. Se corresse mal, o prejuízo suportado seria apenas o custo das embalagens, uma vez que já produziam e escoavam o arroz.
 
Mas correu bem. Macau e Hong Kong representam a maior fatia da exportação de baby rice. São 20 toneladas numa área de 750 hectares da Orivárzea dedicados apenas a esta produção única no país e certificada em qualidade e segurança alimentar para consumo infantil. Estamos a falar de arroz carolino ariete, a mesma variedade incorporada noutras marcas do produtor, só que requer padrões distintos de produção.
 
A estratégia deste agrupamento - nascido em 1997 com dez orizicultores e que hoje ascende a 50 - tem passado pelo investimento na agricultura sustentável, por meio de uma produção integrada, baseada num planeamento rigoroso que preserve os recursos naturais e reduza os químicos nocivos à saúde e meio ambiente. O crescimento surgiu com a aquisição de uma fábrica em 2001 e desde então controlam todo o processo. Os números da produção do baby rice são pouco expressivos. Na qualidade, o caso muda de figura.

“Aqui, valoriza-se a matéria-prima”, sublinha o diretor comercial Jorge Parreira. Foi com este enfoque, aliado à inovação, e a procura de nichos de mercado, que se voltaram para o baby rice em 2006. Numa primeira fase focados no mercado nacional como fornecedores a granel para reconhecidas multinacionais da indústria alimentar infantil, como a Milupa e a Nestlé, para ser transformado em farinhas. Em 2008 chegaram à grande distribuição e, em paralelo, criaram um canal específico para farmácias, mas acabaria por ficar pelo caminho. Por não conter glúten e ser rico em hidratos de carbono, o arroz é o primeiro cereal a ser introduzido na alimentação infantil.
 
O baby rice nasce em parcelas de cultivo que lhe são dedicadas em exclusivo. Nunca se mistura com outras produções, sendo um processo completamente autónomo e separado. Escolhem-se os solos menos contaminados ou nulos em metais pesados, não há a aplicação de inseticidas ou outros químicos nefastos. O grão é criteriosamente selecionado na colheita e no processo de secagem e até no próprio embalamento. Não entram as trincas (arroz partido). Resultado? Depois de confecionado, obtém-se uma textura suave, uniforme, que absorve os sabores de outros alimentos.
 
Quando entrou no mercado nacional, a sua aceitação não foi imediata. Num contexto de crise, não estava acessível às bolsas dos consumidores portugueses, e a empresa admite também não ter tido recursos financeiros para a promoção do produto. A primeira embalagem, feita de cartão, desapareceu e fez descer o preço. O produto, que começa a ter uma crescente procura dos pais, chega atualmente numa embalagem diferenciada, de atmosfera controlada, ou seja, o índice de oxigénio fica abaixo dos 5% permitindo assegurar as condições naturais do cereal, sem conservantes nem químicos.
 
O produto tem uma embalagem de atmosfera controlada, ou seja, o índice de oxigénio fica abaixo dos 5%.
 
por Raquel Pinto
in Expresso.sapo.pt
 
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